OS GATOS DEIXAM PEGADAS NO NOSSO CORAÇÃO

         
         2010

O dia-a-dia no Refúgio Jimmy

          1° Semestre

2011

2° Semestre

21 de Dezembro: Íris

Estávamos em Outubro e a ciganita Íris lavava-se, ciosa do seu bem-estar.

Brincalhona e curiosa, tentava caçar, com alguns companheiros, um bichinho atraído pela mancha de luz que penetrava através dos cedros num belo fim de tarde.

Hoje a Íris espera-nos junto à Ponte do Arco-Íris.

Porquê, se era tão feliz?

Íris

Íris

Íris, Nandinho, Roy e Joaninha

 

20 de Dezembro: O Inverno e o raio de Sol

Quando começa a chegar o Inverno, os gatinhos do Refúgio procuram o mínimo raio de Sol.

Ao fim do dia, muitos recolhem às cabanas e abrigos quentinhos, mas alguns continuam ao ar livre, sob um telheiro ou debaixo de um arbusto.

Os coloridos mudam, e as sombras em redor dão um brilho mais intenso às belas pelagens subtilmente iluminadas.

Thais

Safira

Íris

Sol

Gugu

Willy

 

14 de Dezembro: Enganos e desenganos

Quando a Peggy chegou ao Refúgio, achei que deveria passar o Inverno em isolamento. Mas nem sempre as decisões dos humanos são aceites pelos gatos e quem manda são eles!

Ontem, ao abrir a porta, a Peggy saiu tranquilamente. Deixei-a à vontade e fiquei a observar. Sabendo-a medrosa na colónia em que vivia, pensei que depressa regressaria ao seu cantinho ao ver tanto gato.

Enganei-me!!!

Peggy

Peggy

Decidida, a Peggy dirigiu-se carreiro acima para a cabana, local privilegiado de reunião e convívio,
passando por vários Ribinhas sem qualquer reacção.

 

Peggy

Peggy

Depois de visitar o interior e de ter comido nos pratinhos, saiu e iniciou sem quaisquer receios
a sua vida entre os novos companheiros.


A Peggy está como peixe na água nos Ribinhas. Enfim, é uma força de expressão aplicada a um gato, mas é uma feliz realidade! Quem diria?

 

12 de Dezembro: Pobre Chefe Budagodes
Não se é chefe de sector e, ainda por cima, Buda por acaso!

O pobre Budagodes não pode dar um passo sem ser seguido, solicitado ou acarinhado pelos amigos.

Até o ex-rival João Gatão exige mimo e atenção por parte da alma santa e carismática que o ensinou a desfrutar dos prazeres da boa convivência.

Sentada junto à cabana, não me canso de o observar, sempre com um séquito de admiradores atrás.

Ribinhas

Ribinhas

Ribinhas

Ribinhas

Ribinhas

O querido Budagodes não sabe o que é a solidão!

Tem sempre um gesto solícito para quem o procura, nunca passa por um companheiro sem o cumprimentar e aceita todos igualmente, como um chefe justo e generoso.

 

11 de Dezembro: Maldades e recompensas

Já vos contei como os gatos do Refúgio Jimmy fazem as unhas nos abriguinhos de madeira em sinal de boas vindas.

Ou antes, faziam!

Em desespero de causa, forrámos os telhados com chapa, porque em muitos deles já chovia no interior.

Mas, como nos redimirmos de tamanha maldade?

Após voltas e mais voltas à cabeça, decidimos espalhar um pouco por todo o lado vários poleirinhos, feitos com velhos troncos de pinheiros, para compensar os nossos gatinhos.

Acho que nos perdoaram, porque é vê-los brincar, afiar as unhas e apanhar sol nestas novas construções, um deleite!

abrigos

poleiros

poleiros

poleiros

poleiros

poleiros

poleiros

 

23 de Novembro: Na hora da despedida
 

Ao fim do dia, quando me venho embora do Refúgio, o último local onde fico ainda visível para os Chanéis é a pequena extensão de muro que separa o Sector Roy da entrada da Casa do Fiscalito.

Há alguns dias, senti que alguém me olhava fixamente...

Ergui os olhos e lá estava D. Lucas, muito encolhidinho, pois o espaço de que dispõe é mínimo devido à chapa que cobre todos os cantos dos muros.

Desde então, o ritual mantém-se... encantador!

 

Na hora da despedida

 

17 de Novembro: Peggy
É um prazer ver a minha bela Peggy finalmente calma, sem receios e seca apesar da chuva.

Escolhi para ela o Sector Ribas, amplo e habitado por um grupo de gatinhos habituados a receber, ex-errantes puros na sua grande maioria, que olham os novatos com curiosidade e sem qualquer agressividade.

Mas a querida Peggy ficará em isolamento quase todo o Inverno, porque nunca se sabe...

Encharcada outra vez, não!

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8 de Novembro: As ciganitas
São belas, altivas, calmas e divertidas as 7 ciganitas que alegram o Sector Roy.

Sete donzelas manushes - Katya, Evita, Olenka, Pietra, Isadora, Íris e Rosita - que se renderam à vida sedentária no Refúgio Jimmy, para meu prazer e delas.

Mesmo a discreta e frágil Pietra nem parece a mesma.

Apesar do tão apregoado instinto de adaptação dos gatos, a vida de errância implica muito sofrimento...

Katya

Evita

Olenka

Rosita

Isadora

Íris

Pietra

 

6 de Novembro: Miss

Hoje o sol brilhava no Refúgio Jimmy!

Estava a Miss muito sossegadinha no seu telheiro, quando a porta do isolamento em que tem vivido se abriu!

A Miss olhou sem perceber de imediato, até que alguns amigos entraram, curiosos daquele espaço privado.

Cumprimentos, propostas de amizade e companhia... Um encanto, os meus Palhacinhos!

Miss

Miss e Tété

Miss, Dulce e Ruivinho

Mas, antes de partir, voltei a fechar a princesa no seu isolamento. Começou a choviscar e, se acaso algum malandreco lhe ocupasse a caminha quente, ela poderia ainda não ter tido tempo de escolher um abriguinho que lhe conviesse. No Verão, tudo é mais simples e a Miss é uma gatinha muito frágil. Devagarinho...

 

4 de Novembro: A escada dos Chanéis

Não me apetece falar-vos da chuva e do vento que nos tem assolado nestes últimos dias, dificultando o trabalho no Refúgio e, sobretudo, impedindo-me de estar à vontade com os meus gatinhos.

Mais agradável é falar-vos da escada dos Chanéis, construída na descida íngreme que vai do pequeno telheiro até ao portão de entrada do Sector Roy, com troncos de alguns pobres pinheiros que fomos obrigados a abater para evitar a lagarta do pinheiro. É por aí que desço, sobretudo em dias de chuva, para não escorregar, agradavelmente escoltada por alguns irredutíveis, chova ou faça sol...

 

29 de Outubro: Os Ribinhas

As más línguas dirão que os gatos das Arribas viviam observando diariamente o magnífico Oceano e que agora, no Refúgio Jimmy, se transformaram em gatinhos do campo.

Para quem vive apenas de paisagem e poesia, fique sabendo que nada falta aos meus Ribinhas: comida à discrição, abrigos e arbustos que os protegem finalmente do terrível vento oeste...

Não há gaivotas que os assustem e lhes levem os filhotes, já não morrem por cair na praia, ninguém lhes atira cigarros acesos para os queimar, ninguém os observa rindo, como se fossem animais de circo.

Meus queridos Ribinhas!

Pôr-do-Sol visto do Sector Ribas
E do Sector Ribas vê-se o MAR !!!!!!!

Mocha

Silvestre

Ribinhas

Ribinhas

Ribinhas

Budagodes e Laçarote

 

26 de Outubro: Os Branquinhos
 

Na Sexta-feira passada, quando o tempo ainda fazia lembrar o Verão, os padrinhos dos Branquinhos vieram visitar-nos.

Entre exclamações de alegria, tivemos direito a mais um frasquinho de doce, desta vez dos abrunhos colhidos em Julho no Sector Palhacinhos.

Os Branquinhos apadrinhados pela Isabel e Ilídio deram-lhes a honra de se mostrarem, excepto o tímido David, que, quando os padrinhos iam partir, veio espreitá-los à vedação... Ele sabe!

 

Lucas

Safira

Thais

David

Jamila

 

21 de Outubro: As cabanas

As cabaninhas de madeira do Refúgio Jimmy são muito úteis e apreciadas.

Estranhamente, é lá que capturo muitos selvagens que nelas se instalam quando precisam de cuidados ou se sentem doentes.

De resto, todos os gatos entram por curiosidade ou ali dormem no quentinho...

As cabanas dão sombra, mantêm o calor, têm prateleiras com caminhas e pratinhos cheios, e servem para trepar e brincar.

São igualmente um ponto agradável de reunião, sobretudo nos terraços de cimento, que os gatos adoram, e é de lá que sai milagrosamente a comida!

 

 

19 de Outubro: Mestre Paganini
 

Mestre Paganini é um gatinho muito especial e cheio de sorte. No seu buraco num baldio, alguém o olhou de uma janela com ternura. Apesar de tudo, não estava só!

O destino trouxe-o para o Refúgio Jimmy, juntamente com as amigas Amarilis e Açucena, que partilhavam a sua vida de errância e o adoram.

A Isabel A. cumpriu a promessa de nunca o esquecer e enviou o presentinho anual para o afilhado, que o vai dividir com as amigas.

 

Paganini
Obrigado, Madrinha!

Paganini e Açucena

Amarilis e Açucena

 

16 de Outubro: Amor com amor se paga

Não posso deixar de prestar homenagem aos arbustos selvagens que proliferam generosamente no Refúgio Jimmy. Sem eles, seríamos obrigados a plantar ainda mais, o que implicaria despesa e trabalho.

Não sei o nome destes belos arbustos, verdejantes, perfumados, robustos e de flores amarelas, que suportam corajosamente o calor e dão preciosas sombras aos nossos gatinhos.

Mas que importa? Crescem e multiplicam-se, e cuidamos deles como se de orquídeas raras se tratasse!

Mafrinhas

Libelinha

Ruivinho

Papoila

Jasmim

 

12 de Outubro: Sol
A gatinha Sol já passeia livremente pelo grande sector dos queridos Palhacinhos.

E gosta!

Imaginei-a mais solitária, como muitos gatos abandonados e demasiado habituados aos humanos, mas foi uma surpresa agradável ver como se integrou bem no grupo de companheiros.

Não é difícil! Quem não gostaria do doce Bellini, da Tété, do Ruivinho e de todos os outros gatinhos deste espaço simpático e acolhedor?

Sol

 

11 de Outubro: Os novos abriguinhos
Em previsão do Inverno, estamos a construir novos abriguinhos, encostados aos muros que suportam a vedação e dividem os diferentes sectores.

Aproveitamos madeiras de palettes que nos foram oferecidas e a chapa que se salvou da maldita tempestade de Dezembro de 2009.

Estes abrigos parecem agradar aos nossos gatinhos, que, por enquanto, os utilizam para se protegerem do calor deste agradável Outono estival, embora alguns prefiram os telhados bem quentinhos!

 

10 de Outubro: Thais e o "paparazzi"

A Thais, da família dos Branquinhos, vive em plena harmonia no Refúgio.

Hoje, apesar do calor que nos fez a todos penar e arrastar, passou longos momentos em cima do "seu" telheiro, bronzeando a barriga, em sinal de confiança total. Quando se apercebeu da presença da máquina fotográfica, olhou-me, altiva, como uma princesa apanhada em flagrante delito de nudez por um "paparazzi" !

Que prazer para ela... e para mim!!!

 

9 de Outubro: Ruivinho
Nunca o meu Ruivinho esteve tão bonito!

Pêlo sedoso, brilhante e penteadinho, como o de qualquer gato que se preza.

Depois de lhe terem sido extraídos os dentes, a vida do Ruivinho mudou substancialmente para melhor. Nem sempre é o caso de forma tão evidente.

Se o vírus do FeLV pudesse também desaparecer de vez...

 

7 de Outubro: Alguns infotografáveis

Há gatos no Refúgio quase impossíveis de fotografar. Ora se escondem atrás de um arbusto, ora fogem quando me aproximo demasiado.

A grande maioria destes gatos vive entre si, sociáveis uns com os outros e tímidos com os humanos. Mas alguns, pouquíssimos, escolheram ser totalmente solitários. Não incomodam ninguém, não procuram a companhia dos outros e vivem a sua vida tranquila sem história. Ou talvez com uma história desconhecida que os marcou para sempre...


Angel, só e à vista, numa pose inédita!

 


Paquita, os companheiros são os seus amigos!

 


Olivita detectou-me!

 


Pietra, a grande solitária

 


David e Jamila, sempre juntos e amigos dos outros

 


Lili, tímida mas só com os humanos

 


Amostra, selvagem dos selvagens!


Liza, discreta e solitária

 

30 de Setembro: As caleiras das árvores

Só quem não tem gatos pensa que as caleiras das árvores e arbustos servem para conservar a água da rega e das chuvas!

No Refúgio Jimmy, as caleiras, que fazemos bem largas em previsão dos grupos, servem para muito mais coisas, como por exemplo:

Lilás

Paganinis

Dormir à sombra, bem aconchegado num buraquinho, só ou acompanhado!

 

Ivan

Shamir

Armar-se em contestatário, desdenhando os enormes tabuleiros de areão instalados em cada sector!

 

27 de Setembro: Gugu e a paixão dos grandes espaços

Os gatos são amantes de espaço e liberdade. Mas os siameses ainda mais!

Hoje, ao abrir o portão dos Palhacinhos, contíguo ao dos Chanéis, o malandro do Gugu conseguiu fazer o que há muito planeava: escapulir-se e ir visitar o Sector Palhacinhos.

Corria por todo o lado e fugia de mim, sabendo que, se o apanhasse, deveria regressar ao seu sector. Ele que lhe apetecia novidade, árvores diferentes, outros telheiros, mais espaço ainda!

O Gugu é uma ternura. Deita-se sempre a meu lado e, quando percebe que vou partir, vem acompanhar-me ao portão e pede festas na barriga para a despedida.

Mas, em missão exploratória, nada a fazer para o apanhar.

Ágil, rápido e matreiro, valeu-me a sorte de a curiosidade o fazer entrar numa das cabanas, o velho truque.

Depois, foi só lá ir buscá-lo, mais matreiramente que ele, porque nem pensar em abrir a porta. Armadilha junto à gateira e, mal abri esta, eis o Gugu que sai disparado... para aterrar dentro da casinha de captura.


Um dos maiores prazeres do Gugu é correr, correr...


Carreiro acima, carreiro abaixo...


E, nos mais altos cedros, avistar o infinito...

Pobre Gugu, nem sequer o deixaram conhecer outros horizontes, foi curta a viagem!

Quando decidi acolher o Gugu no Refúgio, o meu querido siamês amante dos espaços infinitos deixava-se morrer de depressão fechado numa jaula...

 

26 de Setembro: Ziggy e o Outono
 

Todas as estações do ano são bonitas no Refúgio Jimmy.

Chegou o Outono, e as árvores começam a despir-se, cobrindo o chão de mil folhas de intenso colorido.

Um tapete agradável para os gatos, um prazer para os olhos dos humanos.

Calor, sol, uma brisa suave e refrescante, folhinhas que caiem para brincar... enfim, dizem os incansáveis, tal como o Ziggy, porque a maioria repousa sensatamente à sombra dos arbustos selvagens que se mantêm generosamente frondosos.




Ziggy e a folhinha que caiu ao chão


Vá, caiam mais para eu brincar!


Ai é? Então o melhor é repousar!

 

24 de Setembro: O prazer do silêncio
 

Passe quem passar, o gato fica imóvel e silencioso, ou esconde-se rapida e discretamente. Seres alheios a um mundo ruidoso e que parece correr sem destino, os gatos prezam acima de tudo a tranquilidade, de preferência junto a uma presença amiga.

Hoje no Refúgio, como todos os dias, observava os meus gatinhos, desfrutando das sombras e da ligeira brisa que nos refrescava.

Silêncio absoluto... excepto de longe em longe o agradável piado das mães perdizes que, no campo em redor, chamavam os filhotes.

Nada mexia e, encostados a mim como é seu hábito, o Buddy, o Gugu, o Tigris, o Roy, etc.  meditavam nos mistérios da existência, enquanto outros dormitavam ao pôr do Sol ou me olhavam como se fosse um ponto perdido algures no Universo.

Buddy

Jasmim

Shamira

Mafrinhas

Tigris

Chris

Bellini

 

14 de Setembro: O gato e a mania das limpezas

Uma poeira imaginária e eis o gato que se lambe. Sempre impecavelmente limpo, lavando incansavelmente o corpo, os olhos e a boca após a refeição, durante longos minutos, por vezes em posições algo extravagantes, até que tudo esteja a seu gosto. Depois passeia-se, exibindo a sua beleza imaculada, ou deita-se a dormir para um merecido repouso.

Sem falar do que finge lavar-se quando quer desorientar algum intruso.

Todos os que capturam ou observam uma gatinha para saber onde tem as crias conhecem este truque especial que o gato utiliza para desviar a atenção do humano curioso.

Mas, nada mais belo e repousante do que observar um gato que faz conscienciosamente a sua toilette.

Um prazer para os olhos, um bálsamo para o coração, porque o gato que não se lava é um gato doente.

Shamir
Não é fácil lavar as costas

 

Libelinha

 

Lucas

Budagodes

Romeira

 

13 de Setembro: Bebés Sírius
E enquanto a mãe Sírius percorre sem complexos o espaço da sua nova morada, os filhotes engordam e crescem, à espera da decisão que sobre eles será tomada.

Frágeis e muito jovens, continuam sob vigilância apertada, mas em breve deverão partir, porque o Refúgio não pode acolher mais gatos.

Para onde, não sei...

Estão tão bonitos os meus bebés!!! Gordos e limpinhos, um encanto. Quem os viu e quem os vê!

 

12 de Setembro: Mãe Sírius

A gatinha Sírius adaptou-se muito rapidamente à sua nova vida.

Não é difícil, dir-me-ão! De um galinheiro sujo, a parir ninhadas e a comer os restos das galinhas - tal era o estado de magreza dela e dos filhotes - para o Refúgio, onde tem boa comidinha à descrição, abrigo, limpeza, companheiros simpáticos e carinho...

Ei-la, cheia de à vontade, percorrendo já o espaço dos queridos Buddys sem se ofuscar com tanta coisa nova para descobrir.

 

5 de Setembro: Os gatos e o fascínio da água

Quem disse que os gatos não gostam da água nunca teve o prazer de observar um gato que brinca durante horas com o pingo que cai de uma torneira, com o jorro que sai de uma mangueira ou com um reflexo de luz ou bichinho que o provoca num lago.

 

Mal se abre uma torneira, os gatos acorrem.

E como é bom beber água fresca nas poças e brincar com o riacho que vai correndo!

Ou simplesmente observar e meditar em mais um dos mistérios da vida!

 

3 de Setembro: O regresso da ciganita Íris

Os regressos ao Refúgio, após estadia na Clínica, deveriam ser filmados!

Como muitos outros "selvagens", a ciganita Íris viajou em silêncio, encolhida ao fundo da transportadora. Teria voz? Tem, porque, à aproximação do Refúgio, começou a chamar! Depois, mal entrou o portão, não mais sossegou até que a portinha se abriu.

Não correu, saiu muito calma, apesar dos vários companheiros que se juntaram para ver a novidade, e... adivinhem, procurou o amigo Lucas. Encontrou pelo caminho o branquinho David, cheirou, não era aquele o "seu" branquinho.

E foi encontrá-LO precisamente no sítio onde estão sempre juntos, perto do pequeno telheiro.

Deitou-se simplesmente a seu lado, olhando-o com ternura.

Lucas e Íris

Tentei novamente o truque da mangueira, para manter o ritual em caso de necessidade. E lá foram o Lucas e a sua amiga Íris beber a água fresca. Outros se lhes juntaram, mas essa reportagem fica para mais tarde!

Lucas e Íris

Lucas, Íris e Gugu

 

30 de Agosto: A ciganita Íris

As minhas ciganitas têm um lugar especial no meu coração... e no do Lucas!

A bela Íris emagreceu e tinha o pêlo sujo, mas, como já o disse várias vezes, é muito difícil capturar um selvagem no Refúgio quando a doença não é grave e ele está na plena posse dos seus meios. A única solução é confiná-lo numa cabana ou num isolamento. Para isso, é preciso observá-lo e inventar a melhor forma de o apanhar.

A Íris, como todas as outras ciganitas, está loucamente apaixonada pelo belo Lucas. O que ele faz ela repete, onde ele vai, vai ela.

O Lucas adora beber a água fresca que sai da mangueira quando rego.

Comecei a regar e lá vem o "isco Lucas" beber, de olhos semicerrados de prazer, seguido pela sua amada. Fui dirigindo a mangueira, lentamente, para um isolamento.

Íris

Eu de fora, a mangueira jorrando dentro, através da rede. E o Lucas entrou. No seu encalce, vários entraram também, entre os quais a Íris, claro.

Depois, foi só fazer sair discretamente os outros, fartos do jogo.

A Íris teve a noite mais feliz da sua vida, fechada sozinha com a sua paixão. Quando os deixei, dormiam abraçados dentro da casotinha...

Hoje de manhã, a Íris foi capturada. Tinha os dentes podres, mas nada se via a olho nu, só o raio X o revelou. Foi operada e acordou calma e bem disposta, talvez com a imagem da noite passada com o seu amado na intimidade.

 

29 de Agosto: Ruivinho

 

O Ruivinho regressou da Clínica na Sexta-feira passada. Encolhido a um canto, temeroso, só pedia que o levassem de volta para junto dos amigos.

Chegado ao Refúgio, fechei-o num isolamento para poder controlar se comia sem babar.

Mas o Ruivinho parecia definhar! Nada, nem o mais apetitoso dos petiscos!

Hoje, já noite, em desespero de causa abri a porta do isolamento e o Ruivinho correu para junto dos amigos, roçando-se por eles, em extâse.

Depois, dirigiu-se calmamente ao prato de comida dentro da cabana comum e comeu, comeu.

Em seguida, foi deitar-se num dos terraços, com olhar de quem diz "eu quero viver aqui com os meus companheiros e daqui ninguém me tira."

Pois bem, Ruivinho, quem sou eu para te contradizer. Se o maldito FeLV deixar, seremos felizes para sempre...

 

25 de Agosto: Miss

Nem muito provavelmente o abandono, nem a magreza, a doença e os malditos vírus FIV e FeLV retiraram à bela Miss o seu olhar sobranceiro e o seu porte altivo e elegante.

A Miss é meiga e doce como uma donzela, sem ser invasiva. O seu prazer é deitar-se tranquilamente perto de mim, como se a simples presença humana lhe desse toda a paz e reconforto de que precisa para ser feliz.

 

A Miss chegou ao Sector Palhacinhos no Domingo, dia 14 de Agosto. Ainda não foi esterilizada porque terá de ganhar mais forças e engordar um bocadinho. Não muito, pois as Misses querem-se esbeltas, embora um pouco mais reboludinhas!!!

A bela Miss tem a honra de ser apadrinhada pela Ana Sofia, que a viu na rua com olhos de ver...

 

24 de Agosto: Ruivinho
Quando levei o meu Ruivinho para a Clínica, fiquei apreensiva. Um FeLV...

Mas, o Ruivinho "apenas" tinha a boca em mau estado. Foram-lhe extraídos os dentes e está a recuperar bem. Mal me ouve chegar dirige-se para o prato, apesar de estar muito medroso ao fundo da jaula, porque sabe que fico contente se ele comer.

O Ruivinho depende inteiramente dos companheiros e do som da minha voz para ser feliz.

Já faltam poucos dias para regressar ao Refúgio, onde os amigos Bellini e Tété o esperam para o acarinharem. Quando foi capturado há quase 1 ano, muito doente, o Ruivinho pesava pouco mais de 2kg. Agora, apesar da gengivite, pesa quase 5kg !!!

 

23 de Agosto: Os Sírius

Para todos aqueles que conseguem ver, mesmo nas noites mais tristes de Inverno, uma estrela cintilar na imensa escuridão, aqui ficam os Sírius, mãe e 6 filhotes, brilhando no esplendor da alegria de estarem vivos.

A mãe Sírius vive no Sector Buddy, onde o Chefe Buddy, fiel à sua missão, lhe faz companhia para lá da rede do isolamento.

Tranquiliza-a e explica-lhe que nada tem a recear, porque, em breve, poderá desfrutar de todo o espaço e conviver com os amigos.

Ele se encarregará de a proteger e iniciar na sua nova vida.


Mãe Sírius no isolamento e Chefe Buddy na sua missão

 

Os 6 filhotes Sírius ocupam o antigo isolamento há muito deixado pelos Mafrinhas.

Brincalhões como todos os bebés, os Sírius divertem-se a explorar o novo espaço. Ainda frágeis e sob apertada vigilângia, recuperam lentamente da magreza e sujidade. Mas os bebés são um enigma, sobretudo os que vêm das estrelas...

 

22 de Agosto: Os Kristis
Os Kristis são encantadores!

Ou é o ambiente de calma que reina no Refúgio que cria esta paz entre os gatos ou é a miséria que viveram na rua que os faz reconhecer que a vida é finalmente simples e pode ser bem vivida.

Apraz-me pensar isso...

A mãe Lilás e seus filhotes Jasmim e Maria Faia integraram-se na mais perfeita harmonia no magnífico grupo dos queridos Buddys.

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Quase sempre juntos, pelo menos para o jantarinho no grande telheiro, pouco se afastam uns dos outros, embora convivam com os companheiros.

Mãe Lilás, Maria Faia e, não muito longe, Jasmim


Duas tricolores, Lilás e Papoila

A Lilás é de uma tranquilidade surpreendente, que transmitiu aos filhotes.

Um arbustinho, comida fresca, água limpa e os filhos por perto bastam-lhe para ser feliz.

Não se esconde nem foge de ninguém, muito menos de mim.

A perseguição de que foi alvo na rua e a coragem com que sempre defendeu as suas ninhadas, dizimadas pelos cães ou pelos humanos, ensinaram-na a distinguir...

 

21 de Agosto: Do outro lado do espelho
O Refúgio Jimmy é apenas a ponta de um enorme iceberg.

Em nossa casa, há dezenas de gatos, todos eles com diferentes patologias, que exigem cuidados, atenção e tratamentos diários.

Este trabalho titânico é assegurado exclusivamente pelo meu marido, que luta diariamente pela sobrevivência dos doentes: gengivites graves, diabetes, corizas crónicas, insuficiências renais, bebés orfãos, deficientes, frágeis, muitos deles selvagens...

Uma guerra de amor e abnegação, por vezes tristemente pontuada de dor quando, após a luta, vem a derrota... Uma carga física e emocional que me parecem insustentáveis.

Sem esquecer a orientação dos trabalhos no Refúgio, as compras de comidas e a ajuda na limpeza, assim como a "captura" de mestre, em casa ou no Refúgio, de um gato doente!

Gatos de casa
E quando ele se senta...

Enquanto eu me ocupo dos queridos errantes e dos gatos do Refúgio, ele dá injecções, faz engolir comprimidos e alimenta doentes à seringa.

Tudo isto é integralmente assegurado por nós, trabalho e despesas. Duas pessoas!

Quem vê as belas fotos do Refúgio, através do site, imagina talvez que um grande grupo ou uma associação assegura todas estas tarefas!!!

No entanto, nem sequer as pessoas que me pediram acolhimento para gatos ajudam em nada, nem mesmo pedindo notícias dos gatinhos que nos confiaram.

Vieram trazê-los e desapareceram!

Gatos de casa
E quando se vai deitar...

Há apenas uma excepção, que agradeço: a Isabel e o Ilídio, padrinhos dos Branquinhos, que vêm regularmente visitar-nos, fazem donativos e pedem notícias dos seus protegidos. E a Vânia, que apadrinhou a Joaninha. Obrigada!

Não se trata de um lamento, mas de uma simples homenagem ao meu marido, que embarcou nesta luta sem hesitação e a assume diariamente sem repouso nem falhas.

Eu, que nem sequer posso ver uma seringa ou uma ferida num gato, inclino-me perante tanta competência, coragem e dedicação.

 

20 de Agosto: Ruivinho
Já ontem o Ruivinho me pareceu diferente.

Quando os gatos alteram o comportamento, desconfio.

O Ruivinho não veio esperar-me ao portão, não veio roçar-se pelos amigos Bellini e Tété na hora das festas e não veio petiscar no momento de encher os pratinhos.

Deixei-o num isolamento de modo a poder observá-lo melhor, mas de manhã cedo seguirá direitinho para a Clínica, não foi preciso muito tempo para perceber que não está bem.

Ruivinho

Tem exactamente a mesma atitude do que quando o encontrei doente na rua: medroso, inquieto, pedindo comida sem conseguir comer, mas agora chamando os amigos e pedindo a sua companhia. O Ruivinho pede ajuda aos companheiros. Para ele, a amizade felina é de longe mais fiel que a dos humanos.

 

18 de Agosto: Tigris

 

Mais um ser excepcional e surpreendente que o Refúgio Jimmy acolheu!

O Tigris, que imaginava selvagem, é de uma ternura imensa.

Mas não só!

Discreto, inteligente, sensível e cavalheiro, deixa o lugar às avassaladoras Moreninha e Caipirinha para as festas e só depois vem pedir mimos.

 

Tigris

Tigris

Pacífico com os companheiros, o Tigris vive no Sector Ribas como se sempre tivesse sido ali a sua casa.

Quem é esta magnífica beleza cinza, de grande elegância e classe?

De onde vem o Tigris, e com que sonha ele quando se desloca atento pelo pequeno carreiro junto às oliveiras que embelezam o espaço dos Ribinhas?

Com mais uma carícia?

 

16 de Agosto: Liza, Allen e Lourencinha
 

A vida com os gatos é uma agitação permanente. Aconselho-a vivamente a quem sofre de tédio, monotonia ou outras angústias existênciais.

A Lourencinha, a Liza e o Allen, do Sector Mealheirinhos, sofrem de gengivite crónica.

Lourencinha

Liza

Com a Lourencinha, basta acenar-lhe com um prato e ela vem correndo para dentro de um isolamento, embora não entre facilmente numa transportadora. Depois, é só capturá-la e levá-la à clínica para o tratamento regular.

Mas, com a Liza e o Allen, é outra história! Há mais de 2 meses que tento cacá-los e nada. Como foi possível hoje apanhar os dois? Sorte, dir-me-ão. É verdade!

Invejosa de ver a Lourencinha comer latinha apetitosa num isolamento, a Liza aproximou-se... Entreabri a porta e ela entrou! Acreditam?

Com o Allen, foi um misto de esperança, persistência, observação e acaso.

Abri uma latinha na cabana e sentei-me perto, de forma a poder fechar a porta. Vários gatos entraram e esperei que o Allen fizesse o mesmo. E ele, que nunca entrara na minha presença, encheu-se de coragem e decidiu entrar também.

Fechei rapidamente a porta! Já noite, capturado na cabana, o Allen foi juntar-se à Liza e à Lourencinha no isolamento, para seguiram amanhã cedo para a Clínica.

Allen

 

14 de Agosto: E a vida continua...

A grande maioria dos gatos do Refúgio não são sociáveis. Apesar de virem ter comigo procurando uma carícia, fogem da mão que bem gostaria de os acariciar!

Mas todos eles encontram companheiros de brincadeira e amigos que os consolam da falta irreparável do prazer felino de um colo, mesmo que nunca o tenham conhecido.

Muitas vezes, é apenas a silenciosa e tranquila companhia, arte em que os gatos são mestres, sem atropelos, sem assédio, sem exigências, como os verdadeiros amigos para os quais a simples existência do outro basta para os fazer felizes.

 


Amarilis e Açucena, absolutamente inseparáveis

 

 


Ruizinho e Nandinho, rivais e amigos...

 


Gugu e Rosita no calor de um caixotinho

 


Roy e Nando brincam, incansáveis

 


Lucas e o filho David, o Sonho de um Dia de Verão

 


Roy e Evita, o repouso em boa companhia

 

Ruizinho, Nina e Rosita: Quem falou em repouso?

 


Maminhos convida Lourencinho para brincar


Leo segue sempre o mano mais velho Silvestre

 

13 de Agosto: Dom Quixote e o Destino
Hoje, por volta das 16h00, caiu a espada de Dâmocles que durante quase 4 anos pendeu sobre a cabeça do belo Dom Quixote.

De batalha em batalha, enfretámos juntos moínhos de vento, até que um deles nos venceu.

O dia esteve cinzento. Depois, ao fim da tarde, abriu o sol. Foi certamente quando o Dom Quixote chegou à Ponte do Arco-Íris, onde espera os companheiros, em especial o seu amado Buddy.

Dom Quixote

Dom Quixote e Dandy

Buddy e Dom Quixote

 

11 de Agosto: Dom Quixote

Há gatos que o destino teima em perseguir. Após a anemia que me fez levá-lo para o Refúgio, separando-o da sua amada Dulcineia e dos outros companheiros, numa colónia bem situada. Após recuperação e dois anos de bela vida saudável, o Dom Quixote declarou uma insuficiência renal.

Recusando-se a comer a alimentação especial que lhe prolongaria a vida e vendo-o definhar, o Dom Quixote veio para nossa casa. De duas em duas horas, Renal e medicamentos dados à seringa pela boca abaixo e muita água.

Quanto à escovadela, só de um lado de cada vez, porque rapidamente se vira de barriga para o ar a pedir festas!!!

Mas, como sempre nas ausências do Dom Quixote, o Buddy parece perdido. O grande amigo não está e ele não entende porquê.

Não creio que o Dom Quixote regresse um dia ao Refúgio. A insuficiência renal é implacável... Mas essa terrível certeza não nos impede de continuar a lutar pelo seu bem estar.


Buddy e Dom Quixote, Maio de 2011

 

9 de Agosto: Os Tamires

Depois do Tamir, os companheiros Mick e Ronnie decidiram deixar-se fotografar! O Ronnie sobre o telhado de um isolamento, olhando-me para ver se me aproximava demasiado, e o Mick, mais afoito, junto ao grande telheiro.

Vejo-os passar todos os dias entre os arbustos, claro, quais sombras fugidias, mortas de curiosidade. Mas, mal aponto o engenho que os eternizará numa pose, ah patas para que vos quero!

 

Ronnie

Mick

Aqui estão eles hoje, o Ronnie, ainda com ar pouco confiante, e o Mick, vivaço de olhar cândido. Era exactamente esta a imagem que tinha deles quando lhes ia dar de comer no território da saudosa Mammy...

 

7 de Agosto: Ziggy
O pequenito Ziggy regressou finalmente da Clínica. Os valores do hemograma voltaram ao normal.

Apesar da sua saúde frágil, o Ziggy é uma força da natureza, brincalhão e incansável.

Recomeçou logo as suas traquinices, em especial com o amigo Shamir, da mesma idade, e acabaram mesmo por entornar um distribuidor de comida.

GRRRR !!!!!!

Ziggy

Ziggy

Ziggy

Ziggy e Shamir
Ziggy e Shamir repousam
após as correrias e disparates

Ziggy e Shamira
Ziggy e Shamira, mãe do Shamir:
Quem meus filhos beija minha boca adoça!

 

6 de Agosto: Os Sírius

Sírius é a estrela mais brilhante do céu nocturno. A denominação vem do grego e significa "cintilante". Assim é a pequenina família que aterrou no Refúgio, vinda dos céus, há duas noites.

O bebé "quase morto" levantou cabeça milagrosamente e já pôde juntar-se à mãe e aos outros quatro irmãos, que recuperam lentamente o gosto pela Vida.

O mais minúsculo está ainda em estado crítico, mas a Estrela da Noite continua a iluminar o seu Universo infinito de dor.

 

4 de Agosto: Pela calada da noite
 

Os caçadores furtivos e outros assassinos, os ladrões e outras sanguessugas actuam em geral pela calada da noite.

Hoje de manhã, chegada ao Refúgio, deparei-me, no Sector Ribas, com um grande saco de plástico do qual sobressaíam duas pequenas cabecitas. Mal me sentiram, fugiram refugiar-se junto a um muro. Três, 4, 5 e por fim 6 bebés, mais uma gatinha extremamente jovem e pouco maior que os filhos, aterrorizados...

Após várias horas de luta, conseguimos apanhar esta família. Esquelécticos, esfomeados, sedentos e sujos, com um cheiro indescritível a galinheiro sórdido!

Na Clínica, após tratamentos de urgência e banho, um deles, que pensava já morto, foi posto a soro e aquecido. Outro está a tentar sobreviver também. Os quatro restantes fazem pela vida.

 

Mãe e filhotes

A mãe, minúscula e igualmente magra, revelou-se encantadora de ternura. Ao darmos comida aos filhotes, nem sequer se dirigiu ao prato. Começou a amassar de alegria e esperou que eles comessem!.

Os muros do Refúgio têm 3 metros de altura! Alguém, pela calada da noite, atirou com estes gatinhos lá para dentro. Alguém que deita um cheiro nauseabundo da alma em putrefacção.

Comparados com esse "alguém", esta gatinha e seus filhotes, sujos, esquelécticos e maltratados, cheiram a rosas e alfazema.

 

2 de Agosto: Tamir
Após dois dias de chuva, o sol regressou ao Refúgio Jimmy. Os gatos saíram dos abriguinhos e cabanas, seguindo-me por todo o lado, um prazer para todos.

Foi precisamente o dia que o Tamir, há muito libertado do seu isolamento, escolheu para finalmente se deixar fotografar quando aproveitava o dia de Verão em cima do grande telheiro do Sector Ribas.

Tamir, o único sobrevivente da saudosa Colónia da Mammy...

Tamir

 

31 de Julho: Pinóquio, Gardi e as visitas

Na passada Sexta-feira, recebemos a visita dos padrinhos dos Branquinhos. Em Junho, a Isabel tinha feito no Refúgio uma bela colheita de alperces de uma das árvores de fruto que alegram o espaço dos Chanéis, e trouxe-nos agora um frasco de doce... que os Chanéis nem provaram. Que injustiça !!!

No Sector Palhacinhos, foram principescamente recebidos pelo querido Bellini, seu compincha Ruivinho e Chefe Tété, mas, sobretudo, pela alegria do Pinóquio e da Gardi, que nos acolhem à sua maneira.

Pinóquio e Gardi

O Pinóquio e a Gardi não são sociáveis.

Quando alguém chega, exprimem a sua alegria através das carícias que fazem um ao outro, na sua comovente incapacidade de aceitar a mão do humano.

Embevecidos com o espectáculo, lamentámos a ausência de máquina fotográfica.

Mas hoje, em especial para a Isabel e o Ilídio, aqui ficam estes momentos de ternura como agradecimento pela visita.

Pinóquio e Gardi

Pinóquio e Gardi

Pinóquio e Gardi

Pinóquio e Gardi

 

26 de Julho: Os olhos dos gatos e a Kiki

Não, não é verdade que os gatos "vêem melhor" na escuridão. Também não é verdade que tenham uma super visão. Os gatos reagem sobretudo ao movimento e a um som que não seja habitual no seu habitat. Quantas vezes, nas capturas, totalmente imóvel, um gato passou por mim sem me ver!

Também não é totalmente verdade que um gato não gosta que o olhem nos olhos. Talvez alguns, em certas situações. Mas quantas vezes me senti apanhada em flagrante por um gato que me observa tentando perceber do que se trata... Fixamo-nos durante longos minutos até que o gato se afasta quando faço um ligeiro e imperceptível movimento.

 

Mas que interessa tudo isto comparado com a beleza dos olhos de um gato?

Verdes, azuis, amarelos, lilazes, castanhos... de fazer inveja à palette de qualquer artista. De um colorido ao sol e outro no escuro, de um brilho na ternura e outro na caça.

Quem são estes seres estranhos de facetas múltiplas? Quem se esconde atrás deste olhar felino, doce e inquietante? 

 

Haziel

 

Ruivinho

Gabi

Angie

Mafrinha

Libel

Mimosa

Tigris

Kiki

Mas, mais colorida ainda e original é a bela Kiki, do grupo dos Chanéis.

Um olho verde, outro azul, de um verde e azul fortes, magníficos!

 

Kiki

Não tem um super carácter de gatinho meigo a minha Kiki, mas a sua beleza faz com que todos lhe perdoem a aristocrática distância.

 

21 de Julho

A Joaninha regressou hoje ao Refúgio. Já quase não coxeia e ficou toda contente por rever os amigos e retomar os seus hábitos.

O jovem Shamir também está de volta. Muito zangado na clínica e na viagem, foi correr tudo como se tivesse estado ausente vários meses.

Em contrapartida, o pequenito Ziggy continua internado. Tem febre e está a soro, mas hoje parecia um pouco mais desperto.

 

19 de Julho: Os Chanéis

Hoje o Sector Roy, mais conhecido pelos Chanéis, esteve na ordem do dia.

A querida Joaninha coxeava da pata esquerda. Algo se lhe espetou na almofadinha, que tinha uma pequena ferida.

O pequenito Ziggy, que estivera há pouco na Clínica para castração, foi também internado. Não parecia bem, um pouco apático contra seu hábito.

O intrépido Shamir lá foi de mala aviada, como estava previsto, sofrer a iniciação à idade adulta, se é que um gato alguma vez cresce...

Joaninha

Ziggy

Shamir

 

18 de Julho: Shamir
 

Hoje, o jovem Shamir rebolava-se na erva fresca todo contente.

Mal ele sabia que, minutos depois, seria apanhado para seguir de manhã cedo para a clínica sofrer a desonra de perder os atributos viris da sua pessoa.

Fechado num isolamento, ficou zangado. Desde bebé que percorre em liberdade todo o espaço dos Chanéis e aceitou mal ver os companheiros brincarem sem ele.

A mãe Shamira plantou-se frente ao isolamento, interrogando-se sobre o porquê do filhote fechado!

 

Shamir

 

17 de Julho: O vento

Nestes últimos dias, o vento tem soprado violentamente na nossa zona, trazendo más recordações.

Os gatos do Refúgio colam-se ao chão, onde se sentem protegidos, mas recusam-se a recolher às cabanas e abrigos durante o dia, porque ouviram dizer que afinal estamos no Verão.

Rasteirinhos, especialistas do conforto e sensatos, mesmo os mais irrequietos decidiram poupar esforços e escolher pequenos e grandes arbustos onde o raio de sol penetra e o vento não passa de uma ligeira brisa refrescante.

 


Buddy, sossegado, contra os seus hábitos!


Safira entre pequenos arbustos selvagens

 


Shamira protegida pelo muro de um telheiro

 


Nina vai recolher-se junto da amiga Joaninha

 


Nandinho desistiu de correr contra o vento

 


Jackie encontrou refúgio debaixo de um pinheiro

 

14 de Julho: O Grande Chefe Cara Pálida

Dá gosto ver os meus Mafrinhas. Brincam, correm, dormem à sombra de arbustos e telheiros, e já frequentam as cabanas, onde uns pratinhos de comida os atraiem.

Até o Grande Chefe Cara Pálida se mostra! Estava difícil vê-lo e fotografá-lo ainda mais. 

Ei-lo finalmente, com uma orelha cortada devido ao carcinoma, mas belo e feliz, amado pela magnífica Tribo dos Tigrados.

Chefe Cara Pálida

Chefe Cara Pálida

Chefe Cara Pálida

 

12 de Julho: Gabi
A Gabi regressou da Clínica. Já come bem e a língua está quase curada.

Chegada ao Refúgio, chamou pelos companheiros, porque é muito faladora e expressiva.

Em seguida, foi pedir carinho à mãe Angie, mas esta não se comoveu...

Solícito, o Dom Quixote veio consolá-la e desejar-lhe as boas-vindas.

Gabi

Gabi e Angie

Gabi e Dom Quixote

 

11 de Julho: Tigris
 

O jovem Tigris foi finalmente libertado da sua horrível prisão.

Clamando constantemente por companhia, quer de amigos felinos, quer de humanos, o Tigris é um ser sociável por excelência. A solidão é para ele o pior dos males.

Os futuros companheiros iam visitá-lo e brincar com ele através da rede, mas não chegava, nada era o suficiente para o intrépido Tigris. O que ele quer é carinho constante, liberdade, brincadeira, amizade.

Tigris

Tigris

Tigris

Mal viu a porta aberta, percorreu todo o espaço em reconhecimento, passando sem preocupações nem qualquer receio pelo meio dos outros.

Não sei se é a sorte, mas todas as integrações têm sido um êxito, e os gatos comportam-se como se sempre tivessem vivido no Refúgio e fossem aqueles os companheiros da sua vida.

 

9 de Julho: Grisely
 

O Grisely partiu esta madrugada. É o melhor momento para uma viagem.

Na frescura que antecede o nascer do Sol, as presas são mais abundantes no País das Caçadas Eternas.

Ex-errante nascido na rua, o Grisely sonhava com carinho e a nossa amizade era profunda e discreta, feita de gestos e olhares subtis.

Mal eu chegava, o Grisely deitava-se perto de mim, tranquilo. Assim ficávamos, ambos sabendo que não seria por muito tempo, desfrutando da vida em comum, preciosa, que nos foi concedida.

Grisely
Nem sequer um ano!

Grisely, como eu gostaria de te ter acariciado. Mas quem decidia o que queria aceitar eras tu e respeitei o teu ritmo.

Não nos foi dado tempo.

 

8 de Julho: Grande acontecimento no Refúgio

Foram abertas as portas do isolamento do Ziggy, que desde Janeiro esperava ansioso este momento!

 


A terrível horde dos Chanéis invadiu de imediato
os domínios do pobre Ziggy


Antes de sair, o Ziggy brincou com o encantador Nando, desta vez sem rede a separá-los

 


Fiquem aí que eu vou ver o que se passa lá fora!

 


Com muito cuidado, porque nunca se sabe

 


Ups, uma árvore, que engraçado!

 


Acho que vou ver mais de perto

 

 

Até tem bolinhas vermelhas e tudo!

Vou fazer aqui as unhas ajudado pelo meu amigo Lucas

 

6 de Julho: Gabi e Ziggy

A Gabi continua hospitalizada, mas começou hoje a comer. A ferida na língua está a melhorar, parece ter sido a picada de uma vespa. Gatinha divertida, faz muita falta no Sector Buddy... como todos eles!

O "ex-bebé" Ziggy está farto do isolamento e de ver os companheiros brincarem juntos. Acolhido em Janeiro, com cerca de 3 meses, esperou até agora para ser castrado. Amanhã será o Grande Dia: regressará ao Refúgio e poderá ser libertado e viver com os outros. Mal ele sabe que esta etapa que hoje vive é o prenúncio de muitas brincadeiras.

Ziggy
O Ziggy exaspera-se no isolamento

Gabi
A Gabi é muito divertida

 

5 de Julho: Ainda a Angie e a filhota Gabi

A Angie regressou ao Refúgio. Assisti esperançada à atitude da filhota Gabi, para ver se a sua ligeira apatia seria apenas a saudade da mãe ausente ou se deveria tomar medidas.

A Gabi não veio cumprimentar a Angie. Ficou no seu canto na cabana. Não hesitei: fechei rapidamente a porta e a Gabi foi capturada e levada de imediato para a Clínica. O diagnóstico é uma úlcera "de contacto" na língua. A gatinha poderá ter caçado algum bicho que lhe feriu a boca.

Tenho sempre muito cuidado com as interpretações de "stress", muito em voga, ou outras de teor "psicológico" nos gatos... e não só.

Os gatos são, é certo, extremamente sensíveis, mas são também fisicamente muito frágeis e aventureiros. Por isso, prefiro tomar precauções, vigiar, actuar rapidamente e insistir na procura de uma causa mais realista, e nunca me arrependi.

 

3 de Julho: Angie e a filhota Gabi
 

A Angie foi internada. O pêlo estava feio porque ela não se lava.

As primeiras análises estão boas. Falta o hemograma. Mas a menina está bem disposta e come muito bem.

Quem está triste é a filhota Gabi.

Embora a Angie não lhe permita manter qualquer relação filial, a Gabi continua afectivamente dependente da mãe.

Desde que a Angie foi hospitalizada, a Gabi passa os dias na cabana e não vem deitar-se debaixo da pereira junto a nós.

 

Gabi

Hoje, para ter a certeza de que era apenas isso, obriguei-a delicadamente a sair e foi deitar-se sozinha a um canto, com ar triste.

Só por isso, mãe Angie, despacha-te a regressar ao Refúgio!